Carta do trigo de Erechim

CARTA DO TRIGO DE ERECHIM

12.05.2010
FÓRUM NACIONAL DO TRIGO – V EDIÇÃO
 
            O FÓRUM NACIONAL DO TRIGO – V EDIÇÃO,  realizado na cidade de Erechim/RS, teve a participação de várias instituições, públicas e privadas, e contou com a presença de 550 participantes da cadeia produtiva (agricultores, governo ,industria, profissionais de assistência técnica privada e de cooperativas) e, após as palestras apresentadas, pelos mais diferentes setores da cadeia produtiva do trigo, destacou alguns pontos que necessitam de melhor atenção e apoio, para realmente fortalecer esta importante cultura para o País, e que são:
 
1-    Continuação dos investimentos de governo, em pesquisa pública e privada, estabelecendo metas que atendam as necessidades técnicas de produção mas que se balizem pelas demandas impostas pelo mercado. Da mesma forma que se continue a busca de tecnologia (cultivares e práticas de manejo de cultivo) que atendam os novos indicadores de classificação que passarão a vigir com a nova instrução normativa de classificação do trigo nos próximos anos.
 
2-    Aperfeiçoamento dos instrumentos governamentais de comercialização, de forma que estes benefícios cheguem realmente ao agricultores produtores de trigo. Mesmo sabendo que o Governo Federal apoia e participou de quase 70% da comercialização do trigo nacional na safra de 2009. Todavia, ressalta-se que os instrumentos públicos de apoio à comercialização do trigo devem, continuamente, serem monitorados para alcançar a sua  finalidade.
 
3-    Liquidação imediata dos valores já comprometidos com os mecanismos de comercialização já firmados e que se encontram pendentes.
 
4-    Elevação da TEC de 10 para 35% quando o trigo for adquirido de outros países fora do Mercosul.
 
5-    Equalização do ICMS cobrado nas operações interestaduais do trigo in natura.
 
6-    Estabelecer para a farinha importada da Argentina os mesmos parâmetros e valores que para o produto nacional.
 
7-    Que o Poder Público encontre mecanismos de praticar os preços mínimos estabelecidos pelo Governo Federal, preços estes amparados legalmente para sua execução. O produtor não pode plantar com uma expectativa de preço de venda, adquirir insumos com aquele preço base e, ao realizar a colheita e efetivar a comercialização, os preços sejam muito inferiores aos previstos pela Política de Garantia de Preços Mínimos.
 
8-    Que apesar do bom volume de crédito existente para a cultura do trigo, ainda há espaço para diferenciação de política pública para produtores não enquadráveis  no Pronaf, uma vez que a sua condição de escala de produção não é similar ao dos grandes produtores.
 
 
9-    Que pela patente necessidade de segregação do trigo, com vistas à manutenção de identidade de qualidade comercial, se estabeleçam linhas de crédito diferenciadas  para o aumento da capacidade de estocagem.
 
10- Que se estabelecem políticas de estímulo ao consumo do trigo nacional, e que este tenha prioridade de industrialização e consumo frente ao trigo importado. Dentro do exposto salienta-se que, nos valores atuais praticados pelo mercado, o valor recebido pelo produtor contribui com menos de  8% do valor do preço final do pão ao consumidor; não podendo o cereal ser responsabilizado pelos aumentos da farinha, do pão e de outros produtos derivados do trigo.
 
 
11- Que se estabelecem ambientes de debates entre produtores, cooperativas, armazenadores, cerealistas, moinhos e indústria  para  a semeadura de cultivares e tecnologias que efetivamente atendam a demanda do mercado, no volume necessário para cada classe de trigo. Debate este que deve, sob coordenação das Câmaras Setoriais trazer FECOAGRO, OCEPAR, OCERGS, ABITRIGO, ABIMA, ABIP, ANIB, FARSUL, FETAG, FETRAF, PESQUISA PÚBLICA e PRIVADA, ASSITÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL e AGENTES FINACEIROS.
 
 

Erechim, 12 de maio de 2010