Custos de Produção Safra 2009/10

CUSTO DE PRODUÇÃO SAFRA 2009/2010 – FECOAGRO/RS
Queda no preço dos insumos provoca redução no custeio das lavouras
Com o objetivo de avaliar a expectativa de rentabilidade dos agricultores gaúchos a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro/RS) divulga a nova estimativa de custo de produção safra de verão 2009/2010 e do trigo safra 2009. O levantamento, realizado há 48 anos pela entidade, tem como base o mês de outubro último.
O presidente da Fecoagro, Rui Polidoro Pinto, destaca a redução no custo de produção das principais lavouras – soja, milho e trigo – em relação à safra anterior, provocada principalmente pela queda nos preços dos fertilizantes, defensivos e combustíveis. O que, no entanto, não representa ganhos no bolso do produtor, à exceção dos sojicultores que, no momento, têm rentabilidade positiva. Polidoro ressalta, porém, que no estudo não foram considerados possíveis reflexos das chuvas abundantes das últimas semanas, que poderá provocar exigir replantios de lavouras e nova aplicação de insumos, onerando o custo.
CULTURAS DE VERÃO
Soja é a única lavoura com rentabilidade
A soja registrou uma redução de 11,6% no custo total e de 20,81% no custo variável, caindo de R$ 36,73 a saca na safra passada para R$ 32,47 a saca atualmente. Considerando o preço de mercado de R$ 41,50 a saca de 60 quilos do grão, o economista da Fecoagro, Tarcísio Minetto, afirma que a cultura é a única neste momento a apresentar rentabilidade ao produtor. O lucro é de R$ 27,81% ou R$ 9,03 por saca.
O produtor precisará colher 17,37 sacas de soja por hectare para cobrir o custo variável de R$ 721,02 por hectare e de 31,29 sacas para cobrir o custo total de R$ 1.298,80 por hectare. Para esse cálculo, o economista considerou uma produtividade de 40 sacas por hectare, com uso de tecnologia média. “Mas cada produtor tem custos próprios, em função do patamar de tecnologia usado e níveis de produtividade auferidos no final da colheita, que poderá resultar em margens maiores ou menores”, alerta.
Baixo preço do milho reduz margem do produtor
Em relação ao milho, a redução do custo total de produção foi de 12,37% e de 16,98% no variável. Na safra passada a cultura registrou o maior pico de custos dos últimos 10 anos, chegando a R$ 22,39 a saca de 60 quilos ante os R$ 19,62 apurado para 2009/2010. Comparando-se o valor de R$ 19,62 com o preço de mercado do grão, R$ 17,57, verifica-se um prejuízo R$ 2,05 por saca, ou 10,45%. Assim, o produtor precisará colher 57,86 sacas para cobrir o custo variável de R$ 1.016,72 por hectare e de 89,32 sacas para pagar o custo total de R$ 1.569,50 por hectare. Avaliando a margem em relação ao preço mínimo de R$ 17,46 o resultado fica negativo em 11,01% . Esse quadro decorre da baixa dos preços do milho, que caíram 8,64% nos últimos 12 meses. “Esse é o cenário de hoje. Lógico que, dependendo da produtividade e do nível tecnológico aplicado na lavoura, cada agricultor poderá ter resultados diferenciados”, explica Minetto.
No trigo, queda dos preços anula redução no custo
O custo total de produção de trigo no Rio Grande do Sul apresentou redução de 9,54%, passando a saca de R$ 36,06 em 2008 para R$ 32,62 em 2009. O custo variável caiu 12,89%, resultado da baixa no preço do adubo, diesel e outros insumos. Então, para produzir um hectare o produtor precisou desembolsar R$ 1.304,84 de custo total ou R$ 857,03 de custo variável.
Para compensar esses gastos, é necessário colher por hectare, respectivamente, 57,99 sacas ou 38,09 sacas, considerando o preço de mercado de R$ 22,50 a saca. Por outro lado, levando em consta o preço mínimo vigente, se a classificação do cereal for TIPO 1 onde o preço mínimo é de R$ 33,30 a saca, será preciso colher 25,73 sacas por hectare para pagar o custo variável e 39,18 sacas para cobrir o custo total. No caso do trigo pão TIPO 2, com preço mínimo de R$ 31,80, o produtor precisará de 26,95 sacas e 41,03 sacas, respectivamente. Neste cenário ocorre equilíbrio entre custo e preços mínimo. Já no caso do trigo brando, onde o preço mínimo TIPO 1 é de R$ 26,46 a saca a necessidade de produção por hectare eleva-se para 32,38 sacas para o custo variável e de 49,31 para pagar o custo total.
A melhor performance entre custo e preço mínimo é com relação ao trigo pão com valor de R$ 33,30 a saca, portanto, uma renda positiva de R$ 0,62 por saca, ou 1,8%. O economista chama a atenção para o fato de que predominam no RS as variedades trigo classe brando, que teve o menor aumento no preço mínimo, apenas 5,54%. Sendo assim, resta ao produtor vender pelo preço mínimo para reduzir os prejuízos. Ou seja, comercializar para o governo através dos instrumentos de regulação e intervenção. A expectativa para este ano, apesar do preço de mercado não ser animador, é de obter preços melhores para o trigo, via mecanismos oficiais de apoio à comercialização, a fim de amenizar as perdas verificadas na avaliação de rentabilidade.
CONSIDERAÇÕES E PREOCUPAÇÕES
Uma das preocupações do presidente Rui Polidoro neste momento de plantio da safra de verão 2009/2010 é quanto às chuvas abundantes que vêm causando transtornos nas lavouras gaúchas, atrasando a semeadura da soja e também a colheita do trigo. A oleaginosa é a mais prejudicada, com menos de 60% da área prevista plantada, quando o normal nesta época seria mais de 70%. A previsão é de que ocorra uma expansão de até 5% nas lavouras de soja no Estado, chegando a 3,9 milhões de hectares, com potencial de produção entre 8 e 8,5 milhões de toneladas.
Já em relação ao milho as estimativas indicam uma redução entre 4% e 8% na área, fechando entre 1,1 e 1,3 milhão de hectares, com potencial de colheita entre 4,5 e 5 milhões de toneladas, abaixo da demanda de 5,8 milhões de toneladas do RS.
Com relação ao trigo, as projeções apontam para uma colheita de 1,7 milhão de toneladas. “O mercado está sem liquidez, os preços baixos, e há falta de recursos no orçamento para garantia de comercialização da atual safra via os instrumentos de apoio à comercialização por parte do governo federal”, afirma o dirigente.
Outra preocupação refere-se ao mercado em 2010 e ao comportamento do câmbio que, se baixar mais se refletirá nas exportações e remuneração dos produtores que adquiriram os insumos no primeiro semestre com o dólar cotado a R$ 1,90 e venderão a safra com o câmbio na faixa de R$ 1,70. A tendência de safras recordes de alguns produtos, entre eles a soja, principal item na pauta de exportação do Brasil, também deixa o setor em alerta. “Safras cheias representam estoques elevados e, consequentemente, redução de preços aos produtores. O governo terá que rever o orçamento para apoiar a comercialização da próxima safra e as exportações caso o cenário não mude.”
Além disso, a capacidade financeira dos produtores para bancar o custeio da safra 09/10 está comprometida frente de acessar ao crédito por causa dos ajustes e negociações de dívidas passadas.
Nesse sentido, Polidoro destaque que o levantamento dos custos de produção tem por objetivo servir de referência para as áreas técnicas das cooperativas, para os produtores e para a própria federação no debate com o poder público para a definição de políticas de apoio tanto na liberação de crédito de custeio como nos instrumentos de comercialização da safra.
* Custo variável é o desembolso para o custeio da lavoura sem considerar os custos fixos (depreciação de benfeitorias, remuneração do capital, máquinas e implementos, etc).
Informações: Rui Polidoro Pinto – 9102-1432 / 3012-4678
Tarcísio Minetto – 9678-2749
1º/12/2009 / Assessoria de Imprensa / Tuca – MTb 9562 / Contato 9311-3777